Mudança de Hábito: Preparando-se para Escrever
Bem-vindo ao Leão Educação. Preparamos esta aula para guiar você, passo a passo, no aprendizado de como montar uma rotina de preparação para a prova de redação. Ao longo desta aula, vamos construir juntos uma base sólida em produção de textos para provas discursivas, com teoria, exemplos práticos e exercícios aplicados aos concursos bancários, como o do Banco do Brasil.
🎯 Objetivo e mensagem central
Este tópico parte do que você aprendeu ao ler o edital: a banca avalia o texto por uma grade de critérios, que agrupamos em conteúdo, estrutura e língua, e essa grade pode ser usada por você nos treinos. Agora a pergunta é outra: como transformar esse conhecimento em preparação regular? Ao final, você será capaz de montar uma rotina semanal de leitura, escrita cronometrada e autocorreção, ajustada ao tempo que realmente tem disponível.
O “para quê” é a diferença entre saber e fazer. Quase todo candidato sabe que um texto dissertativo-argumentativo precisa de tese e de argumentos; poucos conseguem produzi-lo com qualidade no tempo da prova, porque escrever é uma habilidade, e habilidades só se firmam com repetição acompanhada de correção. Uma rotina bem desenhada faz o treino acontecer mesmo nas semanas cheias, e é ela que leva você ao dia da prova com o texto já “na mão”.
Redação se aprende escrevendo
Pense em quem quer aprender a nadar. Ler um manual sobre braçadas ajuda, mas ninguém atravessa a piscina sem entrar na água. Com a redação acontece o mesmo: a teoria diz o que fazer, e só a escrita mostra se você consegue fazê-lo, com que velocidade e com quais falhas recorrentes. Cada texto produzido revela um problema que a leitura de dez aulas não revelaria.
Isso não significa abandonar a teoria. Significa dar a cada coisa o seu lugar: a teoria orienta o treino, e o treino mostra qual parte da teoria você ainda não domina. Um estudo desequilibrado, com muitas horas de aula e nenhum texto escrito, produz a sensação de estar preparado e, no dia da prova, a surpresa de descobrir que o texto não sai. Já o desequilíbrio oposto, escrever muito sem nunca conferir o resultado, repete os mesmos erros com mais velocidade.
Por isso o hábito que você precisa construir tem três ingredientes, e os três precisam estar presentes:
Escrever toda semana, em sessões regulares, mesmo quando o tempo é curto.
Treinar com tempo marcado, para que o ritmo de prova deixe de ser novidade.
Avaliar cada texto pela grade do edital e reescrever o que falhou.
Se faltar a frequência, a habilidade não se fixa. Se faltar o relógio, o texto sai bom em três horas e ruim em uma. Se faltar a correção, o esforço não vira aprendizado. A rotina descrita nas próximas seções existe para garantir os três ao mesmo tempo.
O caso de Lucas mostra o erro mais comum de quem se prepara para a redação: adiar a escrita até sentir segurança. A segurança, na verdade, é consequência do treino, e não condição para ele.
O ciclo de treino em cinco passos
Para que a prática produza aprendizado, ela precisa seguir sempre a mesma sequência. Chamamos essa sequência de ciclo de treino: ler, planejar, escrever, corrigir e reescrever. Observe a Figura 1, que mostra os cinco passos em círculo. O desenho é circular de propósito: a reescrita alimenta a leitura da semana seguinte, e o ciclo recomeça com um olhar mais atento.

Cada passo tem uma função própria. Ler abastece o texto de ideias. Planejar impede que o texto se perca. Escrever com relógio treina o ritmo. Corrigir transforma o erro em informação. E reescrever faz o aluno praticar a versão certa, e não apenas descobrir que a anterior estava errada. Quem pula a reescrita costuma repetir o mesmo desvio no texto seguinte, porque nunca chegou a escrever a forma correta.
Nem toda sessão precisa percorrer os cinco passos. Uma sessão curta pode ser só de leitura e planejamento; outra, só de reescrita. O importante é que, ao longo da semana, o ciclo se complete.
Montando a semana de estudo
Uma rotina só funciona se couber na sua vida. Por isso, o primeiro passo é medir o tempo real que você tem, e não o tempo que gostaria de ter. Some as horas semanais que consegue reservar para a redação, dividindo-as em sessões fixas, com dia e horário combinados consigo mesmo. Sessões curtas e regulares rendem mais do que uma sessão longa e eventual.
A tabela a seguir propõe um modelo para quem dispõe de cerca de cinco horas por semana. É um ponto de partida, e não uma regra: reduza ou amplie as sessões conforme a sua disponibilidade, mas mantenha a ordem dos passos.
| Sessão | Duração | Passos do ciclo | O que fazer |
|---|---|---|---|
| 1 · Leitura e planejamento | 1 hora | Ler e planejar | Ler uma proposta de tema, anotar ideias e montar o plano (tese e argumentos) sem escrever o texto |
| 2 · Escrita cronometrada | 1h30 | Escrever | Produzir o texto completo, à mão, com o relógio marcado, a partir do plano da sessão anterior |
| 3 · Correção | 1 hora | Corrigir | Avaliar o texto pela grade, preencher a ficha de autocorreção e registrar os erros |
| 4 · Reescrita | 1 hora | Reescrever | Reescrever os trechos que falharam, começando pelo erro mais grave |
| 5 · Leitura de repertório | 30 minutos | Ler | Ler um texto jornalístico ou de opinião e anotar ideias e dados que possam servir de argumento |
A tabela mostra uma lógica simples: o planejamento vem antes da escrita, a correção vem depois, a reescrita fecha o trabalho sobre o texto, e a leitura de repertório já abastece a semana seguinte. Observe também que a escrita completa acontece uma vez por semana. Para a maioria dos candidatos, um texto completo bem corrigido ensina mais do que três textos entregues sem revisão, porque o aprendizado nasce do intervalo entre escrever e corrigir.
Helena mostra que a rotina se adapta ao calendário: o que importa é que cada sessão tenha uma tarefa clara, e não apenas “estudar redação”. Quando a sessão não tem tarefa definida, o tempo se perde na hesitação.
O relógio entra aos poucos
Escrever com relógio é uma habilidade à parte, e o aluno que começa cronometrando de forma rigorosa costuma se frustrar. Por isso, introduza o tempo em três fases. Na primeira, escreva sem pressa, apenas para firmar a estrutura e a clareza. Na segunda, use um tempo folgado, maior do que o da prova, e vá reduzindo-o a cada semana. Na terceira, escreva exatamente no tempo que o edital do seu concurso deixa para a redação, simulando o dia real. Como o tempo de prova varia por edital, confira o seu e use-o como meta final; a divisão desse tempo entre as etapas da prova será estudada mais adiante no curso.
Autocorreção pela grade do edital
Corrigir o próprio texto é o passo mais difícil do ciclo, porque o autor tende a ler o que pretendia escrever, e não o que de fato escreveu. Para vencer esse viés, use um instrumento: a ficha de autocorreção, montada com as perguntas que você criou ao ler o edital. Cada critério vira uma pergunta, e a resposta é sempre “sim”, “em parte” ou “não”, com a indicação do trecho que a justifica.
O segredo está em dois cuidados. O primeiro é deixar o texto descansar: se possível, corrija no dia seguinte à escrita, quando o olhar já se distanciou do que você queria dizer. O segundo é ler como o corretor: de lápis na mão, sem reescrever enquanto lê, anotando na margem cada ponto que causaria perda de nota. Só depois de terminar a leitura inteira você preenche a ficha.
A ficha na prática
Veja um exemplo de aplicação, com um parágrafo de um texto de treino sobre o tema hipotético “A educação financeira na vida do trabalhador”:
Muitas pessoas não sabem poupar. Isso é ruim porque ninguém sabe o que vai acontecer. Então, o governo tem que ensinar isso na escola e os bancos também, pois eles lucram com os clientes.
Aplicando a ficha, o autor chegaria ao seguinte diagnóstico.
| Pergunta | Resposta | Trecho e correção a fazer |
|---|---|---|
| O parágrafo sustenta um argumento explicado? (conteúdo) | Não | “Isso é ruim porque ninguém sabe o que vai acontecer” não explica por que não poupar prejudica o trabalhador. Dizer qual é a consequência (por exemplo, o endividamento diante de um imprevisto) |
| Há tese e foco no tema? (conteúdo) | Em parte | O parágrafo muda para “governo” e “bancos” sem dizer o que se defende. Fixar o ponto de vista no início |
| As frases se ligam por conectivos precisos? (estrutura) | Em parte | “Então” anuncia uma conclusão que não decorre do que veio antes; “pois eles lucram com os clientes” não se liga ao argumento. Usar conectivo que indique a relação real |
| A linguagem é formal e impessoal? (estrutura) | Não | “tem que” e “isso” repetido são marcas de oralidade e vagueza. Trocar por termos precisos |
| O texto respeita a norma-padrão? (língua) | Sim | Sem desvios graves nesse trecho |
O diagnóstico da tabela mostra o valor do método. Sem a ficha, o autor diria apenas que “ficou meio fraco”. Com ela, sabe que o problema central é a falta de explicação do argumento, e passa à reescrita com um alvo claro:
A falta de educação financeira expõe o trabalhador ao endividamento. Quem não aprendeu a separar uma parte da renda para emergências recorre ao crédito caro diante de qualquer imprevisto, como a quebra de um eletrodoméstico, e passa a comprometer o orçamento dos meses seguintes. Por isso, a escola e as instituições financeiras devem oferecer formação que ensine a poupar.
Repare no que mudou: o primeiro período fixa o ponto de vista, o segundo explica a consequência com um exemplo concreto, e o terceiro conclui com um conectivo adequado. A reescrita não é elegante por acaso; ela resolve, um a um, os pontos marcados com “não” e “em parte” na ficha. A forma de construir cada uma dessas partes será ensinada mais adiante no curso; aqui, o que importa é perceber o método de corrigir e refazer.
O caderno de erros recorrentes
As fichas de várias semanas, juntas, mostram um padrão: cada candidato tem poucos erros que se repetem. Registre-os num caderno de erros recorrentes, com a forma errada, a forma correta e o critério afetado. Antes de cada sessão de escrita, releia a página. Em poucas semanas, o caderno aponta onde estão os seus pontos fracos, e o treino deixa de ser genérico e passa a mirar o que realmente custa nota.
Se possível, peça que outra pessoa leia o seu texto, como um professor, um colega de estudo ou alguém que lê com atenção. Um leitor externo vê o que o autor não vê. Se isso não for possível, não deixe de corrigir sozinho: a ficha, bem aplicada, já resolve a maior parte do problema.
Ler para escrever melhor
Quem escreve bem costuma ler com frequência, e há uma razão prática: a leitura fornece ideias, vocabulário e modelos de organização. Na redação de concurso, o texto precisa de argumentos pertinentes, e argumentos vêm de informação. Um candidato que não acompanha os assuntos em debate chega à prova com a tese pronta e sem nada com que sustentá-la.
A leitura da rotina tem de ser ativa. Ler um editorial, uma reportagem ou um artigo de opinião e simplesmente concordar não rende. Rende ler com três perguntas: qual é a tese do autor? Que argumentos ele usa para defendê-la? Que fato, dado ou exemplo posso aproveitar em um texto meu? As respostas, anotadas em poucas linhas, formam um caderno de repertório, que alimenta os treinos de escrita.
O caso de Marcos mostra que o repertório não precisa ser sofisticado: um episódio bem compreendido e bem explicado vale mais do que uma citação decorada e mal aplicada. A seleção e a fundamentação do repertório para temas bancários e sociais serão aprofundadas mais adiante no curso; por ora, trate a leitura como parte fixa da semana, ainda que curta.
Como manter a rotina
Montar a rotina é só o primeiro passo; mantê-la exige antecipar o que costuma derrubá-la. Os obstáculos mais comuns são três: a semana que “estoura” e leva as sessões embora, o desânimo diante dos primeiros textos fracos e a sensação de que a correção “não mostra progresso”.
| Obstáculo | Por que atrapalha | Resposta prática |
|---|---|---|
| Semana sem tempo | A sessão adiada tende a ser abandonada, e o hábito se perde | Mantenha uma versão mínima: 20 minutos de leitura e planejamento. Fazer o mínimo preserva o hábito |
| Texto fraco nas primeiras semanas | Gera a ideia de que não há progresso e leva a abandonar o treino | Guarde os textos datados e compare o primeiro com o de um mês depois. O progresso aparece na comparação |
| Correção superficial | Sem registro, o mesmo erro volta a cada texto | Preencha sempre a ficha por escrito e anote os erros no caderno |
| Muita teoria, pouca escrita | Dá a falsa impressão de preparo | Estabeleça a regra de produzir ao menos um texto completo por semana, antes de qualquer aula nova |
A tabela mostra que os obstáculos têm respostas objetivas, e quase todas dependem de organização, não de força de vontade. Quando o hábito está amarrado a um dia e a um horário, ele deixa de depender do humor. E quando o progresso está registrado, a motivação tem onde se apoiar.
Uma observação final sobre o que esta rotina não cobre. A letra legível, a velocidade e a resistência da mão são habilidades físicas que merecem treino específico, e serão tratadas no próximo tópico. Por ora, o que importa é que seus textos de treino sejam escritos à mão, como serão na prova, e não digitados.
🧭 Revisão
O que você precisa lembrar
- Redação é habilidade: aprende-se escrevendo, e a teoria serve para orientar o treino, não para substituí-lo.
- A rotina precisa de três ingredientes ao mesmo tempo: frequência, relógio e correção.
- O ciclo de treino tem cinco passos, na ordem: ler, planejar, escrever, corrigir e reescrever. A reescrita é o passo que fixa a correção.
- A semana se monta pelo tempo real disponível, em sessões curtas e regulares, cada uma com uma tarefa definida; o relógio entra aos poucos, até chegar ao tempo do edital.
- A autocorreção usa uma ficha com as perguntas da grade do edital e é mais eficaz quando o texto descansa antes de ser lido como o corretor leria.
- Um caderno de erros recorrentes e um caderno de repertório tornam o treino cada vez mais direcionado.
✍️ Exercícios de revisão
Nível 1 · Recordar
Liste, na ordem, os cinco passos do ciclo de treino de redação.
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Ler, planejar, escrever, corrigir e reescrever. A ordem importa: o planejamento antecede a escrita, e a reescrita vem depois da correção, para fixar a forma certa. O ciclo é circular porque a reescrita alimenta a leitura da semana seguinte.
Identifique os três ingredientes que a rotina de treino precisa reunir para dar resultado.
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Frequência (escrever toda semana, em sessões regulares), relógio (treinar com tempo marcado) e correção (avaliar o texto pela grade do edital e reescrever). Faltando um deles, o treino perde eficácia: sem frequência a habilidade não se fixa, sem relógio o ritmo de prova não se constrói e sem correção o esforço não vira aprendizado.
Defina o que é uma ficha de autocorreção e de onde saem as suas perguntas.
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É um instrumento de avaliação do próprio texto, em que cada critério de correção do edital (com os critérios agrupados em conteúdo, estrutura e língua) é transformado em uma pergunta, respondida com “sim”, “em parte” ou “não” e com a indicação do trecho com falha. As perguntas saem da leitura do edital, como foi feito no tópico anterior.
Nível 2 · Compreender
Explique por que uma rotina de escrita frequente rende mais do que muitas horas de teoria sem escrita.
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Porque a redação é uma habilidade, e habilidades se firmam com repetição acompanhada de correção. A teoria diz o que fazer, mas só o texto produzido mostra se o aluno consegue fazê-lo, em que ritmo e com quais falhas. Quem só estuda teoria tem a sensação de estar preparado e, no dia da prova, descobre que o texto não sai. Isso não elimina a teoria: ela orienta o treino, e o treino indica quais pontos da teoria ainda precisam ser revistos.
Por que a reescrita é considerada o passo que fixa a correção?
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Porque corrigir apenas revela o erro; reescrever faz o aluno praticar a forma certa. Quem identifica um problema e passa ao texto seguinte sem refazer o trecho nunca escreveu a versão correta, e por isso tende a repetir o desvio. A reescrita transforma a informação da correção em hábito.
Diferencie releitura de autocorreção e explique por que a segunda encontra mais problemas.
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Reler é passar os olhos pelo texto à procura de qualquer defeito, de modo disperso; autocorrigir é avaliar o texto critério por critério, com uma pergunta de cada vez e registro escrito. A releitura tende a perceber só erros de superfície, como ortografia. A autocorreção, porque obriga a responder a perguntas sobre tema, tese, encadeamento e norma, encontra problemas que a leitura distraída deixa passar.
Explique por que o relógio deve ser introduzido em fases, e não de uma vez no tempo exato da prova.
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Porque escrever com tempo marcado é uma habilidade própria. Quem começa com o tempo da prova, antes de dominar a estrutura do texto, tende a produzir textos incompletos e a se desanimar. Na primeira fase, escreve-se sem pressa para firmar a estrutura; na segunda, com tempo folgado e cada vez menor; na terceira, no tempo do edital, para simular o dia real. Se a qualidade cair com a redução do tempo, volta-se uma fase.
Nível 3 · Aplicar
Ricardo dispõe de apenas três horas por semana para a redação. Monte uma semana de treino para ele, indicando as sessões, a duração e os passos do ciclo de cada uma.
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Resposta possível: sessão 1, de 45 minutos, de leitura e planejamento (ler uma proposta e montar tese e argumentos); sessão 2, de 1 hora, de escrita cronometrada a partir do plano; sessão 3, de 1h15, dividida entre correção pela ficha (cerca de 45 minutos) e reescrita do trecho mais fraco (cerca de 30 minutos). A distribuição pode variar, desde que o ciclo se complete na semana, cada sessão tenha tarefa definida e haja uma correção por escrito. Com pouco tempo, é preferível um texto bem corrigido a dois sem correção.
Aplique a ficha de autocorreção ao parágrafo de treino a seguir, sobre o tema “o uso de canais digitais pelos clientes de um banco”, e aponte o principal problema: “Os canais digitais são muito bons. Todo mundo usa o celular hoje em dia. Por isso os bancos são importantes.”
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O principal problema está no conteúdo: não há argumento explicado. “São muito bons” é uma opinião sem justificativa, e a conclusão (“por isso os bancos são importantes”) não decorre da frase anterior. Há ainda marcas de oralidade (“todo mundo”, “hoje em dia”) e o conectivo “por isso” não expressa a relação real. Reescrita possível: “Os canais digitais ampliam o acesso aos serviços bancários, pois permitem ao cliente pagar contas e consultar o saldo a qualquer hora, sem deslocamento até a agência. Esse ganho de tempo é especialmente relevante para quem trabalha em horário comercial.”
Débora escreveu um texto de treino na segunda-feira à noite e quer corrigi-lo logo em seguida, ainda cansada. Que orientação você daria e como ela deveria proceder na correção?
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Deixar o texto descansar e corrigi-lo no dia seguinte, quando o olhar se distancia do que a autora pretendia dizer. Na correção, ela deve ler o texto inteiro como se fosse o corretor, de lápis na mão, sem reescrever durante a leitura, anotando na margem os pontos que causariam perda de nota. Só depois deve preencher a ficha, critério por critério, indicando o trecho de cada falha.
Após quatro semanas, as fichas de Pedro mostraram, em três textos, o mesmo problema: parágrafos que começam sem ligação com o anterior. O que ele deve fazer com essa informação na rotina?
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Registrar o erro no caderno de erros recorrentes, com a forma errada, a forma corrigida e o critério afetado (coesão, no bloco de estrutura). Antes de cada sessão de escrita, deve reler a anotação e, ao reescrever, ter como alvo ligar o início de cada parágrafo ao anterior com um conectivo que expresse a relação certa. Assim, o treino deixa de ser genérico e passa a mirar o ponto que mais custa nota.
Ao ler uma reportagem sobre o aumento de golpes por mensagem, Carla quer aproveitá-la no caderno de repertório. Escreva a anotação, em até três linhas, no formato fato, o que permite defender e fonte. Use dados hipotéticos.
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Resposta possível: “Fato: reportagem (hipotética) sobre golpes por mensagem que simulam o banco e pedem confirmação de dados. Permite defender: a educação do cliente é tão importante quanto a segurança tecnológica. Fonte: jornal X, data tal.” A anotação é curta, nomeia a fonte e já indica o argumento que o fato sustenta, o que a torna reutilizável em um texto de treino.
Nível 4 · Analisar
Um candidato escreve quatro textos por semana, mas não os corrige: “Não sei corrigir, prefiro treinar mais.” Analise o plano à luz dos três ingredientes da rotina e proponha um ajuste.
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O plano tem frequência, e muita, mas não tem correção; o relógio não é mencionado. Sem correção, o esforço não vira aprendizado, e o candidato tende a repetir os mesmos erros quatro vezes por semana, com mais velocidade. O ajuste é reduzir a quantidade e acrescentar a correção: um ou dois textos por semana, cada um avaliado pela ficha, seguido de reescrita. Se ele acha que não sabe corrigir, a ficha construída com os critérios do edital é justamente a ferramenta que resolve isso.
Compare dois planos. Plano A: uma sessão de cinco horas aos domingos, com escrita, correção e reescrita. Plano B: cinco sessões de uma hora ao longo da semana, cada uma com uma tarefa do ciclo. Analise vantagens e riscos de cada um e indique qual a maioria dos candidatos deve preferir.
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O plano A concentra tudo num dia: se o domingo for tomado por um compromisso, a semana inteira se perde; além disso, cinco horas seguidas produzem cansaço, e a correção, feita logo depois da escrita, perde o distanciamento. O plano B distribui o esforço, permite que o texto descanse entre a escrita e a correção, reduz o risco de perder tudo por um imprevisto e mantém o contato frequente com o assunto. Em contrapartida, exige disciplina de horário. Para a maioria dos candidatos, o plano B é preferível, justamente por proteger o hábito; o plano A só se justifica para quem não tem outra opção, e ainda assim convém separar a correção em outro dia.
Uma candidata percebe, ao comparar o primeiro texto com o de um mês depois, que a nota atribuída por ela mesma pouco mudou, e conclui que o treino não está funcionando. Analise a conclusão e indique o que ela deveria verificar antes de abandonar a rotina.
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A conclusão é precipitada. A nota global pode esconder avanços parciais: o texto pode ter ganhado clareza na tese e continuar com falhas de coesão, por exemplo. Ela deve comparar as fichas critério por critério, ver se os erros do caderno diminuíram e conferir se a correção foi feita com rigor e a reescrita, de fato realizada. Se os erros persistem, o problema pode estar em passos do ciclo que foram pulados, como a reescrita. Abandonar a rotina eliminaria justamente o instrumento que permite localizar a causa.
Você concluiu o estudo sobre a mudança de hábito na preparação para a redação. No próximo tópico, avançaremos para a importância da escrita manuscrita, em que veremos como treinar letra legível, velocidade e resistência da mão, habilidades que precisam estar prontas antes do dia da prova. Continue firme nos estudos!
Os casos e os textos de treino apresentados são hipotéticos, elaborados para fins didáticos.