Posicionamento
Bem-vindo ao Leão Educação. Preparamos esta aula para guiar você, passo a passo, no aprendizado do posicionamento. Ao longo desta aula, vamos construir juntos uma base sólida em vendas e negociação, com teoria, exemplos práticos e exercícios aplicados à rotina comercial das instituições financeiras e às questões de concursos.
🎯 Objetivo e mensagem central
Este tópico fecha a tríade que você vem construindo: identidade é o que a organização é, imagem é como ela é percebida, e posicionamento é como ela quer ser percebida pelo público que escolheu atender. Ao final, você será capaz de definir posicionamento, situá-lo no processo de segmentação e escolha do mercado-alvo, diferenciar pontos de paridade e de diferença, redigir uma declaração de posicionamento, reconhecer as principais bases de posicionamento e identificar os erros mais comuns.
Para que o profissional de vendas precisa disso? Porque o posicionamento define o argumento central de cada oferta. O gerente de uma instituição posicionada pela proximidade vende de um jeito; o de uma instituição posicionada pelo menor custo, de outro. Conhecer o posicionamento da sua organização é saber qual promessa você está autorizado e obrigado a cumprir.
O que é posicionamento
O termo ganhou popularidade com Al Ries e Jack Trout, publicitários que o divulgaram no início dos anos 1970 e o consolidaram no livro Posicionamento: a batalha por sua mente. A frase mais conhecida deles resume a ideia: posicionamento não é o que você faz com o produto, é o que você faz com a mente do cliente potencial. Para os autores, a mente das pessoas, saturada de mensagens, organiza as marcas em “escadas” por categoria e guarda poucos nomes em cada uma; vence quem ocupa primeiro uma posição clara.
Kotler e Keller ampliam o conceito para toda a oferta da empresa:
Repare nas palavras que sustentam o conceito. Diferenciado: se a organização é percebida como igual às outras, não tem posição; o cliente escolhe pelo preço. Valorizado: a diferença precisa importar para o cliente; ser diferente em algo irrelevante não gera preferência. Clientes-alvo: ninguém se posiciona para todos ao mesmo tempo; o posicionamento é sempre para um público escolhido.
Onde o posicionamento se encaixa
Kotler apresenta o posicionamento como a última etapa de uma sequência de decisões conhecida pela sigla STP, das iniciais em inglês de segmentação, escolha do mercado-alvo e posicionamento.
A ordem tem uma lógica: não se pode decidir como ser percebido sem antes saber por quem. Um banco que escolhe universitários como mercado-alvo se posiciona pela praticidade digital e pelo custo baixo; o mesmo banco, para empresários do agronegócio, pode se posicionar pelo conhecimento técnico e pela presença no campo. Os critérios e técnicas de segmentação são estudados em detalhe na aula sobre segmentação e comportamento do consumidor; aqui, basta lembrar que o posicionamento depende dessa escolha prévia.
Quadro de referência, paridade e diferença
Kotler e Keller propõem construir o posicionamento a partir de três decisões.
A primeira é o quadro de referência competitivo: em qual categoria o cliente deve situar a oferta e contra quem ela será comparada. Uma conta digital pode ser apresentada como “banco” (e comparada aos bancos tradicionais) ou como “aplicativo de pagamentos” (e comparada às carteiras digitais). A escolha muda o que precisa ser destacado.
A segunda são os pontos de paridade: atributos ou benefícios que o cliente considera obrigatórios em qualquer oferta da categoria. Eles não fazem a marca ser escolhida, mas a ausência deles faz a marca ser descartada. Para um banco, segurança, solidez e funcionamento confiável do aplicativo são pontos de paridade.
A terceira são os pontos de diferença: atributos ou benefícios que o cliente associa fortemente à marca, avalia positivamente e acredita que não encontrará no mesmo grau em um concorrente. São eles que geram preferência.
| Critério | Pontos de paridade | Pontos de diferença |
|---|---|---|
| Função | Tornar a marca aceitável na categoria | Tornar a marca preferida |
| Se faltar | A marca é descartada | A marca vira produto indiferenciado e compete só por preço |
| Exemplo bancário | Segurança, aplicativo estável, rede de atendimento | Gerente que conhece o negócio rural; tarifa zero com atendimento humano 24 horas |
A tabela mostra por que muitas empresas erram: investem tudo em pontos de diferença e negligenciam a paridade, ou o contrário. De nada adianta um atendimento encantador se o aplicativo vive fora do ar; e de nada adianta um aplicativo impecável se não há nenhuma razão para escolher aquela marca em vez de outra igualmente impecável.
Para ser eficaz, o ponto de diferença precisa ser desejável para o cliente (relevante, distintivo e crível) e entregável pela empresa (viável, comunicável e sustentável no tempo). Um diferencial que o concorrente copia em um mês não sustenta um posicionamento.
Proposta de valor e declaração de posicionamento
O posicionamento se materializa na proposta de valor: o conjunto de benefícios que a empresa promete entregar ao cliente-alvo e que justifica a escolha. Kotler e Armstrong descrevem as propostas de valor combinando benefícios e preço:
| Proposta | Lógica | Exemplo hipotético no setor financeiro |
|---|---|---|
| Mais por mais | Benefícios superiores com preço mais alto | Atendimento exclusivo e assessoria personalizada para alta renda |
| Mais pelo mesmo | Mais benefícios pelo mesmo preço dos concorrentes | Mesma tarifa do mercado, com seguro e assistência inclusos |
| O mesmo por menos | Benefícios equivalentes com preço menor | Conta completa sem tarifa mensal |
| Menos por muito menos | Menos benefícios com preço muito menor | Conta básica apenas digital, sem talão nem atendimento presencial |
| Mais por menos | Mais benefícios com preço menor | Proposta atraente, mas difícil de sustentar no longo prazo |
A tabela revela uma lição de coerência: cada proposta funciona para um público diferente. O cliente que busca exclusividade aceita pagar mais; o que precisa apenas de transações básicas prefere pagar menos. A proposta “mais por menos” é tentadora, mas, como os próprios autores advertem, tende a ser difícil de manter, porque a empresa acaba pressionada pelos custos de oferecer mais ou pelos concorrentes especializados de cada lado.
Para orientar toda a organização, o posicionamento é registrado em uma declaração de posicionamento. Um formato muito usado é:
Aplicando o modelo a uma cooperativa hipotética: “Para pequenos produtores rurais do Vale que precisam de crédito ajustado ao ciclo da safra, a Cooperativa Raiz é a instituição financeira da comunidade que oferece técnicos que conhecem a lavoura e condições de pagamento alinhadas à colheita”. A declaração não é um slogan para o público; é uma bússola interna que orienta produto, preço, canais, comunicação e atendimento.
Bases de posicionamento e mapa perceptual
A posição pode ser construída sobre diferentes bases. Os autores de marketing apontam, entre as mais comuns:
Uma característica da oferta: “a maior rede de atendimento do país”.
O que o cliente ganha: “resolva tudo em minutos, sem sair de casa”.
Uma situação de uso: “o crédito para a reforma da sua casa”.
Um tipo de cliente: “o banco do servidor público”, “o banco do produtor rural”.
Comparação direta ou indireta: “a tarifa que os grandes bancos não oferecem”.
A relação entre o que se paga e o que se recebe: premium ou econômico.
Para visualizar posições, os profissionais de marketing usam o mapa perceptual (ou mapa de posicionamento): um gráfico com dois eixos que representam atributos importantes para o cliente, como preço e nível de atendimento personalizado, em que cada marca é situada conforme a percepção dos consumidores, obtida por pesquisa.
Observe na Figura 1 um mapa perceptual hipotético: cada instituição aparece no ponto em que o público a situa, e os quadrantes vazios indicam oportunidades de posicionamento.

O mapa ajuda a responder duas perguntas. Primeira: estamos onde queremos estar? Se a instituição pretende ser percebida como próxima e aparece no quadrante do atendimento impessoal, há um problema. Segunda: há espaços vazios? Uma região do mapa sem concorrentes pode indicar uma oportunidade de posicionamento, desde que exista público disposto a ocupá-la.
Erros de posicionamento e reposicionamento
Philip Kotler aponta quatro erros principais de posicionamento, muito cobrados por terem nomes parecidos.
| Erro | O que acontece | Sinal típico |
|---|---|---|
| Subposicionamento | A marca não é percebida como diferente; o público tem apenas uma ideia vaga dela | “É só mais um banco” |
| Superposicionamento | A imagem é estreita demais; o público acredita que a marca serve só a um nicho ou é cara demais | “Esse banco não é para gente como eu” |
| Posicionamento confuso | Excesso de mensagens ou mudanças frequentes deixam a imagem indefinida | “Não sei o que esse banco quer ser” |
| Posicionamento duvidoso | As promessas não são críveis diante do preço, das características ou da experiência | “Ninguém acredita nessa propaganda” |
Note que os quatro erros têm causas diferentes e, por isso, soluções diferentes. O subposicionamento pede um ponto de diferença claro. O superposicionamento pede comunicar a amplitude real da oferta. O posicionamento confuso pede foco e consistência ao longo do tempo. O duvidoso pede alinhar a prática à promessa, ou reduzir a promessa ao que se consegue cumprir.
Quando o posicionamento atual deixa de funcionar, porque o mercado mudou, a concorrência ocupou a posição ou a imagem se desgastou, a empresa pode partir para o reposicionamento: a mudança deliberada do lugar que a marca ocupa na mente do público. É um processo longo e arriscado, porque precisa desfazer associações antigas antes de construir novas, e só funciona quando acompanhado de mudanças reais na oferta e na experiência, e não apenas na comunicação.
🧭 Revisão
O que você precisa lembrar
- Posicionamento é projetar a oferta e a imagem para ocupar um lugar diferenciado e valorizado na mente dos clientes-alvo (Kotler e Keller); para Ries e Trout, é o que se faz com a mente do cliente.
- Posicionamento é a intenção; imagem é o resultado percebido.
- Sequência STP: segmentação, escolha do mercado-alvo e posicionamento.
- Pontos de paridade tornam a marca aceitável; pontos de diferença a tornam preferida.
- Propostas de valor: mais por mais, mais pelo mesmo, o mesmo por menos, menos por muito menos e mais por menos.
- Erros: subposicionamento, superposicionamento, posicionamento confuso e posicionamento duvidoso.
- Reposicionar exige mudanças reais na oferta e na experiência, não só na comunicação.
✍️ Exercícios de revisão
Nível 1 · Recordar
Defina posicionamento segundo Kotler e Keller.
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É a ação de projetar a oferta e a imagem da empresa para que ela ocupe um lugar diferenciado e valorizado na mente dos clientes-alvo.
Liste, na ordem, as três etapas da sequência STP.
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Segmentação, escolha do mercado-alvo e posicionamento.
Identifique os quatro erros de posicionamento apontados por Kotler.
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Subposicionamento, superposicionamento, posicionamento confuso e posicionamento duvidoso.
Escreva o modelo de declaração de posicionamento apresentado no tópico.
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“Para [público-alvo] que [necessidade], nossa [marca] é [categoria ou conceito] que [ponto de diferença].”
Nível 2 · Compreender
Explique a diferença entre posicionamento e imagem.
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O posicionamento é a intenção da organização: o lugar que ela deseja ocupar na mente do público-alvo. A imagem é o resultado: o lugar que ela efetivamente ocupa, conforme a percepção do público. Um posicionamento bem-sucedido aproxima a imagem da posição pretendida.
Diferencie pontos de paridade e pontos de diferença, com um exemplo de cada para um banco.
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Pontos de paridade são atributos que o cliente considera obrigatórios na categoria; sua falta leva ao descarte da marca. Exemplo: segurança das transações. Pontos de diferença são atributos associados fortemente à marca, valorizados e percebidos como exclusivos; geram preferência. Exemplo: gerentes especializados no agronegócio presentes nas propriedades rurais.
Explique por que a segmentação e a escolha do mercado-alvo precedem o posicionamento.
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Porque o posicionamento é sempre relativo a um público: só é possível definir que lugar ocupar na mente do cliente depois de saber quem é esse cliente, quais são suas necessidades e quais atributos ele valoriza. Sem essa escolha, a empresa tenta agradar a todos e acaba sem posição clara.
Explique por que a proposta de valor “mais por menos” é considerada difícil de sustentar.
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Porque oferecer benefícios superiores tem custo, e cobrar menos reduz a receita para cobri-lo. No longo prazo, a empresa tende a ser pressionada pelos custos e pelos concorrentes especializados: os de “mais por mais” na qualidade e os de “menos por muito menos” no preço.
Explique para que serve um mapa perceptual.
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Ele representa, em dois eixos de atributos relevantes, como os clientes percebem as marcas concorrentes. Serve para verificar se a empresa está na posição pretendida e para identificar espaços não ocupados que podem representar oportunidades de posicionamento.
Nível 3 · Aplicar
Classifique o erro de posicionamento: (a) pesquisa mostra que clientes de renda média acreditam que um banco “só atende ricos”, embora ele tenha produtos para todos; (b) em dois anos, uma fintech mudou o slogan quatro vezes, de “o mais barato” para “o mais seguro”, “o mais completo” e “o mais humano”; (c) clientes não conseguem dizer nada que diferencie uma instituição das demais; (d) um banco anuncia “atendimento imediato”, mas é conhecido pelas filas.
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(a) Superposicionamento: imagem estreita demais, que afasta clientes atendíveis. (b) Posicionamento confuso: mudanças frequentes de mensagem. (c) Subposicionamento: ausência de diferença percebida. (d) Posicionamento duvidoso: a promessa não é crível diante da experiência.
Classifique a proposta de valor: (a) cartão sem anuidade com os mesmos benefícios dos cartões tradicionais; (b) conta apenas digital, sem talão e sem atendimento presencial, a custo muito baixo; (c) assessoria de investimentos exclusiva, com tarifa elevada.
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(a) O mesmo por menos. (b) Menos por muito menos. (c) Mais por mais.
Redija uma declaração de posicionamento para um banco hipotético que escolheu como público-alvo servidores públicos recém-empossados que querem organizar as finanças.
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Uma resposta possível: “Para servidores públicos recém-empossados que querem organizar as finanças desde o primeiro salário, o Banco Horizonte é o banco do servidor que oferece orientação financeira personalizada e crédito consignado com condições adequadas à carreira”. A resposta está correta se identificar público, necessidade, marca, categoria e um ponto de diferença relevante e crível.
Identifique a base de posicionamento de cada mensagem: (a) “o banco de quem produz no campo”; (b) “abra sua conta em cinco minutos e resolva tudo pelo celular”; (c) “a maior rede de caixas eletrônicos do estado”; (d) “o crédito certo para a reforma da sua casa”.
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(a) Usuário: define o tipo de cliente. (b) Benefício: destaca o ganho de tempo e praticidade. (c) Atributo: característica da oferta. (d) Uso ou aplicação: situação específica de uso.
Um banco digital tem aplicativo premiado, mas os clientes reclamam de instabilidade frequente nas transferências. Decida se o problema afeta pontos de paridade ou de diferença e qual deve ser a prioridade.
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A estabilidade das transferências é ponto de paridade: requisito mínimo para qualquer banco. A falha nela pode levar ao descarte da marca, independentemente dos diferenciais. A prioridade é restabelecer a paridade (estabilidade), porque, sem o “ingresso”, os pontos de diferença perdem efeito.
Nível 4 · Analisar
Uma instituição tradicional decidiu se reposicionar como “jovem e digital” e, para isso, trocou o logotipo e lançou campanha com influenciadores, mantendo processos que exigem idas à agência para quase tudo. Analise as chances de sucesso e os riscos.
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As chances são baixas. O reposicionamento exige desfazer associações antigas e construir novas, o que só ocorre quando a experiência muda. Sem processos digitais reais, a promessa não é crível, e o resultado tende a ser posicionamento duvidoso. Há ainda o risco de confundir o público atual, que valorizava a tradição, sem conquistar o novo, levando a um posicionamento confuso. O caminho coerente seria transformar primeiro a experiência (abertura de conta e serviços pelo aplicativo) e comunicar a mudança gradualmente.
Um mapa perceptual de uma cidade mostra quatro instituições: duas com custo alto e atendimento muito personalizado, uma com custo baixo e atendimento impessoal e nenhuma na região de custo baixo com atendimento personalizado. Analise se essa lacuna é necessariamente uma oportunidade.
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Não necessariamente. A lacuna indica um espaço não ocupado, mas só será oportunidade se houver público relevante que deseje essa combinação e se a empresa conseguir entregá-la de forma sustentável. Atendimento personalizado tem custo, e oferecê-lo com preço baixo aproxima-se do “mais por menos”, difícil de manter. A análise precisa verificar a demanda por pesquisa e a viabilidade econômica, por exemplo, com tecnologia que reduza o custo do atendimento ou foco em um segmento específico.
Você concluiu o estudo sobre o posicionamento e, com ele, a aula de estratégia empresarial. Na próxima aula, estudaremos a gestão da qualidade em serviços, onde veremos como os clientes avaliam o atendimento, quais padrões de qualidade orientam o setor bancário e como transformar satisfação em relacionamento duradouro. Continue firme nos estudos!
Os casos apresentados são hipotéticos, elaborados para fins didáticos.